Vocês sabiam que o plástico demora cerca de 400 anos para se decompor?

Mas será que, como num passe de mágica, ele simplesmente desaparece da natureza após 400 anos?? Já pararam pra pensar em como isso ocorre?

Antes, contaremos um breve relato da história do plástico e como ele virou um enorme problema que parece não ter fim.

A ideia de utilizar o petróleo como material plástico veio do belga Leo Baekeland. Em 1907, ele trabalhava nos EUA e procurava um bom isolante elétrico que fosse fácil de produzir em escala industrial. Foi aí que surgiu a baquelite, o primeiro plástico 100% sintético, e desde então surgiram vários outros plásticos (sim, plásticos apresentam composições diferentes e nem todos são recicláveis) que fazem parte do nosso dia a dia.

Telefone de braquelite

Os plásticos apresentam pontos positivos, são leves, maleáveis, resistentes e muito baratos, e por isso são encontrados em diversas coisas, como embalagens, brinquedos, roupas, materiais hospitalares, computadores, celulares etc. ou seja, quase tudo ao nosso redor tem plástico na sua composição. Só que o problema do plástico está exatamente nos seus pontos positivos. Por terem essas qualidades, eles são descartados rapidamente e vão parar em praticamente todos os lugares do mundo. Há plásticos nas florestas, rios, nas maiores profundezas do oceano, inclusive no Polo Norte e nos Alpes Suíços.

A maior parte do plástico que não é reciclado acaba parando nos oceanos. Estima-se que exista 5 trilhões (5.000.000.000.000) de pedaços de plásticos nos oceanos,  que somam, ao todo, 250 mil toneladas. E toda essa quantidade de plástico acaba virando alimento de animais marinhos. Um estudo de 2016 mostra que mais de 690 espécies (não indivíduos) já ingeriram plástico, entre elas aves marinhas, baleias, tartarugas, peixes, focas, entre tantas outras.

E sempre pode piorar…

O assunto do artigo de hoje era o microplástico, certo? Então vamos falar sobre eles.

Microplástico são pedaços de plástico, menores que 5mm, que podem chegar aos oceanos indiretamente, pela quebra de pedaços maiores de plásticos, ou diretamente, como é o caso daqueles presentes na purpurina, pastas de dentes ou sabonetes e cremes esfoliantes. Como mencionei acima, o plástico não some num passe de mágica em 400 anos, e sim vai se quebrando em pedaços menores. Esses pedacinhos causarão impactos não só nos grandes animais, mas nos organismos pequenos, que podem servir como base da cadeia alimentar (um exemplo rápido é o krill, uma espécie de crustáceo que serve de alimento para pinguins, focas, baleias, que, estando, contaminado, contaminará quem for predá-lo).

Mas peraí, se o microplástico chega aos animais, será que não pode chegar a nós, seres humanos? Será que de forma indireta nos alimentamos dele??  E a resposta é sim. Se vocês se alimentam de peixes ou outros animais marinhos, vocês provavelmente estão ingerindo também o microplástico. E mesmo se você não comer esses alimentos, é possível a ingestão de microplástico através do sal que usamos como tempero e até na água que sai da nossa torneira. Até no ar ele está presente, como mostra um estudo realizado na Escócia, em 2018, no qual  deixaram um prato de comida em cima de uma mesa, e, em 20 minutos,  o prato foi coberto por 114 pedaços de microplástico (estudo completo deixaremos nas fontes utilizadas). Como podemos ver, ele está em todos os lugares e não temos como escapar dele.

E se pensarmos que esses microplásticos podem ser reduzidos em partículas ainda menores, virando nanoplásticos, e que os cientistas ainda não sabem quais os reais efeitos deles no corpo humano, mas, por serem partículas microscópicas, podem afetar inclusive o nosso DNA.

 E qual seria a solução?

Acredita-se que ela venha somente de uma nova revolução industrial, com a substituição do plástico por outro material que cause menos danos a natureza.  Só que enquanto isso não acontece, o que podemos fazer é pensar nos 5Rs diariamente, usar produtos mais naturais, fazer substituições que sejam mais sustentáveis e acompanhar o blog da Malungo Art, onde  sempre trazemos pra vocês dicas de como ter práticas mais conscientes, rs.

E deixamos vocês com essa reflexão:

“ A vida moderna é dependente do plástico, mas a vida humana é dependente de algo muito mais belo e importante. Nós fazemos parte e dependemos da natureza!”

(Ana Lesnovski)

Autora: Caroline Figueiredo, bióloga e educadora ambiental

FONTES:

https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0111913&ncid=edlinkushpmg00000313
https://pubs.rsc.org/en/content/articlehtml/2017/ay/c6ay02419j
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0025326X11005133
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0269749117344445

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